Conforme relatório da Nokia “This Box Was Made For Walking…” (Esta caixa foi feita para andar...) prevê-se que até 2011 a procura por TVD em celulares explodirá com mais de quinhentos milhões de clientes assinantes de serviços. O relatório diz ainda que a televisão portátil esta na sua infância, tanto em termos de adoção quanto de produção sendo difícil prever como será o seu impacto. A evolução da televisão portátil será determinada por vários fatores entre eles o tecnológico, comercial, social, político e regulamentar, baseando-se nas plataformas existentes, principalmente os da televisão, telefonia celular e Internet.
Uma das razões citadas no relatório que levam as pessoas a assistirem televisão no celular é a flexibilidade de se ter acesso à televisão a qualquer hora e em qualquer lugar. Os usuários consideram a independência do aparelho de televisão como um dos principais benefícios da televisão no celular. (Orgad, 2006)
Em um estudo encomendado pela Ericsson e pela rede de televisão Americana CNN, 34% dos usuários gostariam de ter programação televisiva como um dos serviços em seu aparelho celular. 44% informaram que tem a intenção de adotar a televisão no celular nos próximos dois anos. 24% dos usuários de televisão portátil utilizam o serviço todos os dias, e 52% semanalmente. Com uma pontuação de 77%, as notícias dominam as preferências, seguidas por programas da televisão aberta, com 48%.
Segundo Fuoco (2008), durante a realização do evento Mobile World Congress em Barcelona, o presidente mundial da Ericsson, Carl Henric Svanberg, afirmou em uma coletiva de imprensa que “o mundo caminha para a televisão personalizada, individual, em que cada um escolhe a programação, o aparelho e o horário em que quer assisti-la.”
Em 2002, na Coréia sinais de televisão já estavam disponíveis e eram transmitidos através de uma rede de telefonia celular padrão significando tarifas por minuto para assistir à televisão e contas de telefone incrivelmente altas. No ano seguinte, Samsung e Vodafone lançaram telefones que recebiam transmissões de televisão analógicas locais gratuitamente na Coréia e no Japão. Entretanto, havia dois problemas graves: entrecortamento do vídeo e alto consumo da bateria.
Fornecer sinais de televisão em um dispositivo como um celular apresenta diversos desafios entre eles a transmissão de dados de vídeo que requer velocidades de transmissões rápidas. As velocidades de entrega de dados para a rede 2G variam de 10 a 14Kbps, o que faria um programa de televisão parecer um show de slides. A rede 2,5G tem velocidades de entrega de 30 a 100Kbps, tornando o vídeo entrecortado. Por fim, a rede 3G fornece velocidades de 144Kbps a 2Mbps que junto a outras técnicas permite uma transmissão de dados de vídeo em boa qualidade.
Outro desafio é a largura de banda. Dados de televisão ocupam muito mais espaço que os dados de voz. Uma rede celular poderá tornar-se extremamente lenta ao fornecer televisão ao vivo para milhares de telefones celulares simultaneamente. Para tentar solucionar este problema o multicasting pode ser utilizado, pois economiza largura de banda ao permitir que a comunicação seja enviada de um ponto para um conjunto selecionado de pontos da rede. (Layton, 2006)
O consumo de bateria também é outro desafio. Receber, processar e exibir conteúdo de vídeo requer bastante bateria e os telefones celulares são limitantes nesta questão. Técnicas de economia de energia como o fracionamento de tempo, que transmite dados em intervalos espaçados, de modo que o receptor possa se desligar entre as transmissões podem ser aplicados para solucionar este problema. A Figura 5 apresenta um exemplo de arquitetura básica para a televisão portátil.

Fazem parte desta arquitetura:
a) Rede Celular: pode ser adotada como canal de retorno para a interatividade do usuário com os programas, (e) ou as próprias operadoras de telefonia celular podem utilizar a rede para oferecer serviços aos seus clientes, como por exemplo, a TVDP paga. Diante de uma assinatura mensal, os clientes da operadora poderiam receber uma programação diferenciada de televisão em seu dispositivo;
b) Rede de Televisão: responsável por transmitir o conteúdo da televisão Aberta de forma a ser captada corretamente pelo dispositivo;
c) Dispositivo Portátil: deve estar apto a receber os sinais digitais e a interatividade que são transmitidos pelas emissoras através da rede de televisão e também da rede celular;
d) Plataforma de Cooperação: para oferecer o potencial completo da TVDP será preciso que as diversas prestadoras envolvidas trabalhem em conjunto. É neste contexto que está incluída esta plataforma de cooperação, responsável por “orquestrar” este trabalho em conjunto. (Melo, 2005)
Conforme Alencar (2007), a operadora Telia Sonera acredita que a TVDP será a grande onda do mercado móvel e desde 2005, a Nokia está trabalhando na área. Além disto, a empresa Strategy Analytics estimou que neste ano (2009), as redes de difusão de telefonia móvel atingirão 51 milhões de clientes. Também em 2005, a operadora SK Telecom da Coréia do Sul, passou a ofertar televisão portátil com 12 canais de vídeo e áudio e serviços como internet.
Escandinavos e coreanos já usam a TVDP, enquanto que empresas como Vodafone e O2, da Europa, ainda estão se organizando para isto. O país mais adiantado neste sentido é o EUA. As empresas Cingular, Verizon já fornecem serviços e canais para seus clientes e a Qualcomm lançará sua televisão portátil com capacidade de até 100 canais de difusão. No Brasil, somente a Rede Bandeirantes tem um acordo com as operadoras celulares para transmissão de notícias.
Segundo Guerreiro (2001), a convergência entre a TVD e as redes celulares de terceira geração, acarretarão em muitas aplicações para as redes móveis como: programas de rádio e televisão, áudio e vídeo on demand, jogos, interatividade, notícias, metereologia, finanças, viagens, trânsito, mapas, comércio, internet, transferência de arquivos, serviços de emergência, serviços de localização, acesso remoto, escritório móvel, e-mail, voz, mensagens, e-commerce, e-banking, etc. Além disto, Guerreiro também apresenta os possíveis serviços de vídeo em veículos: informações de trânsito, informações de viagens, informações turísticas, serviços de emergência, serviços de reserva, etc.
Os benefícios gerados por esta convergência são vários, como as vantagens estratégicas para o país (comércio, tecnologia e evolução), mercadológicas para as empresas de mídia (novos serviços, produção de conteúdo e definição de imagem), comerciais para a indústria de equipamentos (royalties, importação, exportação) e acesso para os cidadãos (receptores, interatividade, novos serviços e aplicações).
Apesar de ainda estar sendo implantada no Brasil, a TVD já possui alguns aparelhos portáteis que suportam o padrão brasileiro, entre eles celulares, receptores USBs (Universal Serial Bus) e miniTVs. Algumas empresas de eletroeletrônicos estão investindo tanto no desenvolvimento de dispositivos fixos quanto nos dispositivos portáteis, enquanto outras se focam apenas em um desses dispositivos. As Figuras 6, 7 e 8 mostram alguns dispositivos portáteis.
Segundo a ABNT NBR 15602-1:2007, os receptores aqui no Brasil são classificados em Full-Seg (todos os 13 seguimentos) e One-Seg (apenas 1 segmento). Full-Seg são os receptores fixos, isto é, os STBs (conversores digitais) e receptores de 13 segmentos, integrados com tela de exibição (mas não exclusivos a estes), enquanto que, One-Seg são os receptores portáteis (handheld) que incluem celulares, PDAs, SmartPhones, televisores portáteis (miniTVs), USBs, dongle e receptores para veículos automotivos e, diferentemente dos dispositivos Full-Seg, os dispositivos One-Seg são capazes apenas de receber e decodificar os sinais transportados na camada “A” (locada no segmento central) do fluxo de transporte e sinais de perfil básico.



0 comentários:
Postar um comentário